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09.Outubro.2012

ARTIGO: A motivação dos colaboradores da área da Saúde influenciada pela Ergonomia Organizacional

 A motivação e a satisfação dos colaboradores que atuam na área da saúde propiciam diretamente muitos ganhos para a qualidade dos serviços prestados. Esses colaboradores se defrontam com várias mudanças tecnológicas e também com várias mudanças nos processos de trabalho e precisam estar motivados e preparados para tal. Motivados os colaboradores, transformam uma energia estática em sinergismo positivo, maximizando e proporcionando maior qualidade no atendimento ao seu principal cliente que é “o paciente”.

    Para melhorar a motivação dos funcionários que trabalham na área de saúde, com condições insalubres de trabalho, alto grau de stress, grande responsabilidade no sucesso do tratamento médico, rápidos avanços tecnológicos, trabalho coletivo, etc., os gerentes devem criar e manter um ambiente de trabalho que possibilite a atuação dos indivíduos de forma segura, confortável e produtiva.

    As teorias da motivação explicam por que as pessoas se empenham no trabalho. De acordo com Stoner e Freeman (1999), a motivação deve ser entendida como os fatores que provocam, canaliza e sustentam o comportamento de um indivíduo. Complementando o conceito sobre motivação Bergamini (1997) argumenta que, o funcionário é portador de um estado de carência ou necessidade interna que o predispõe a uma conduta de busca rumo a determinado objetivo. Caso esse objetivo não seja a tingido, não se dará o ato motivacional, e consequentemente, não será atingida a satisfação que nasce com a junção desses dois elementos.

    Vários estudos demonstram que a área de saúde apresenta certas particularidades no mundo do trabalho. Alguns apontam que os hospitais congregam profissionais, saberes, tecnologias e infraestrutura diversificadas. Sua configuração técnica e social é peculiar, caracterizada por uma divisão de trabalho extremamente precisa, bem como por diferentes modelos de ação profissional, sustentados nas competências, saberes e múltiplas estratégias dos profissionais.

    Outros estudos mostram que a Ergonomia Hospitalar trata de melhorar condições de conforto e segurança de trabalhadores da saúde e de pacientes.
Alguns estudos mostram que nas últimas décadas, a visão da Ergonomia Hospitalar avançou bastante, sendo que a maioria dos estudos realizada tenta identificar estratégias ergonômicas em desenvolvimento, visando conciliar as cargas de trabalho a níveis aceitáveis, geralmente abordando assuntos como o stress, os problemas osteomusculares e os determinantes mais frequentes dos problemas de saúde dos trabalhadores de Enfermagem Hospitalar.

    O paciente é um ser humano que está apresentando algum distúrbio fisiológico e que necessita de assistência, ou cuidado. Em relação ao produto final, esperamos uma melhora no estado fisiológico do mesmo, o que pode ser conseguido através do desempenho de uma equipe multiprofissional. Nesse processo os colaboradores estão susceptíveis ao ambiente, pois realizam tarefas complexas, envolvendo elevada carga de trabalho, tanto em termos físico, como mental, o que consequentemente determina stress, medo e angústia. O ambiente hospitalar é altamente estressante, em virtude da alta movimentação de pessoas, sons de equipamentos, correria na realização dos cuidados a pacientes graves, aumento de tecnologias empregadas, que às vezes não estão acompanhadas de treinamento adequado. O papel da ergonomia hospitalar, portanto, é adaptar o homem a novas tecnologias de trabalho, buscando diminuir assim a carga física e mental gerada sobre o profissional.

    Para reduzir a monotonia, a fadiga e os erros operacionais, criando ambientes mais cooperativos e motivadores, a ergonomia organizacional tem como finalidade aperfeiçoar os sistemas sócio técnicos, incluindo suas estruturas organizacionais, políticas corporativas e processos de produção e de negócios. Os tópicos relevantes incluem comunicações, gerenciamento de recursos de equipes e operações com sistemas estratégicos.

    A Ergonomia estuda O ambiente físico de trabalho – a ergonomia se preocupa em manter o ambiente em um estado que não agrida a integridade do organismo e proporcione conforto ambiental, buscando as melhores condições para o desempenho das atividades dos funcionários.

    É importante verificar os níveis de ruídos, mantê-los em nível adequado, buscando contribuir para a diminuição do stress em profissionais da área e pacientes. A redução do ruído pode ser conseguida com a utilização de um isolamento acústico para edificação, ou mediante uma barreira vegetal, em torno das edificações hospitalares, visando à absorção e filtragem do ruído.

    A iluminação do ambiente tem influência psíquica na condição dos doentes. O trabalho a ser realizado pelos profissionais da área de saúde e as sensações de seus pacientes devem ser considerados para o estabelecimento do tipo de iluminação adequada para o ambiente: luz natural e/ou artificial; diretas e indiretas; incandescentes e fluorescentes. Sempre que possível, deve-se aproveitar às fontes naturais de iluminação, que estão relacionadas também com a possibilidade de se manter um contato com o ambiente externo, acompanhando as variações climáticas e o passar das horas: o sol é identificado pelo paciente como fonte de vida.

    Cores: Em ambientes destinados ao tratamento e promoção de saúde, as cores devem ser equilibradas (quentes e frias) para evitar despertar certas emoções relacionadas às cores quentes; e também, para evitar criar impressão tenebrosa, pelo uso excessivo de cores frias, pois mesmo sendo tranquilizantes e calmantes, as pessoas nesse tipo de ambiente, precisam sentir-se emocionalmente cuidadas.

    A temperatura deve ser controlada para evitar um ambiente muito frio, abaixo de 15º C. Uma temperatura demasiadamente fria diminui a concentração e reduz a capacidade de raciocínio e de tomada de decisões, afetando também o controle muscular, e assim reduzindo algumas habilidades motoras e comprometendo o desempenho geral dos colaboradores.

    O ambiente psicossocial é também um importante fator.
A monotonia, a fadiga e a motivação são três aspectos muito importantes que devem interessar a todos aqueles que realizam análise e projetos relacionados ao trabalho humano. Segundo Iida (1998, p.273), “a monotonia e fadiga estão presentes em todos os trabalhos e, se não podem ser totalmente eliminados, podem ser controlados e substituídos por ambientes mais interessantes e motivadores”.

    É interessante observar as causas do stress de trabalhadores. São elas: o conteúdo de trabalho, pressão para manter o ritmo de produção, o nível de responsabilidade, conflitos e outras fontes de insatisfação; o sentimento de incapacidade, percepção pessoal da incapacidade em atender a demanda do trabalho ou de terminá-lo dentro de um prazo estabelecido; condições de trabalho, excesso de calor, ruído, ventilação deficiente, iluminação inadequada, cores irritantes, etc.; fatores organizacionais, comportamentos de chefes e supervisores exigentes e críticos, questões salariais, carreira, horários de trabalho, horas extras e turnos; pressões econômico-sociais, tanto da sociedade, como de colegas de trabalho (Iida, 1998).

    Diante disso, segundo o mesmo autor, existem várias formas de reduzir o “stress”. Por exemplo: enriquecimento da tarefa; resenho do posto de trabalho; promoção de contatos sociais; treinamento em novas tecnologias; desenvolvimento profissional dos funcionários, ascensão profissional; adoção de métodos como ginástica no trabalho ou, nos casos mais graves, tratamentos individualizados.

a remuneração – a administração da remuneração sempre foi considerada questão de crítica importância para a eficácia organizacional. As queixas salariais, já que, muitas vezes, aparecem com maior frequência, quando há insatisfação em outras áreas do ambiente físico ou psicossocial.

jornada de trabalho – o número de horas extras, verificando a correlação direta do volume de horas com problemas como doenças e absenteísmo. O horário flexível de trabalho, em muitos casos, é uma solução para fadiga; o trabalhador começa ou termina o trabalho conforme a sua vontade, desde que cumpra a carga horária semanal ou mensal. É necessário que haja pausa (descanso), independente da jornada de trabalho utilizada.

    As causas que envolvem a fadiga no trabalho são múltiplas e em geral são decorrentes das associações entre as más condições de trabalho e o desencontro entre os ritmos biológicos e os horários de trabalho. Ela é mais frequente durante a noite e em horários de trabalho que se iniciam muito cedo de manhã. Nesses últimos pode ocorrer uma privação parcial de sono por exigir que o trabalhador acorde muito cedo, dessa forma reduzindo o período de repouso.

    Especialmente à noite, a privação de sono causa da pelas dificuldades de repouso diurno e a dessincronização dos ritmos biológicos podem reduzir significativamente os níveis de alerta dos trabalhadores e acentuar os sintomas de fadiga (Grandjean, 1998).

organização do trabalho – processos de controles, utilização das habilidades laborais, relacionamento interpessoal e a forma de gestão. A organização do trabalho e saúde considera diversas medidas tomadas para melhorar a postura e aliviar a carga de trabalho. A primeira delas é a variedade de tarefas, pelo alargamento ou enriquecimento do trabalho, pois diminui o grau de fadiga, promovendo uma maior motivação, além de reduzir o absenteísmo e a rotatividade. A segunda é a liberdade dada para o funcionário organizar o seu trabalho, promovendo ajustes de acordo com as necessidades de sua personalidade. Isso ajuda a promover um maior equilíbrio psicossomático. E, por fim, a participação dos trabalhadores nos processos, contribuindo para aceitação de novas propostas e reduzindo as resistências.

Segundo a NR – 17, “(…) a organização do trabalho deve ser adequada às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado”. A organização do trabalho, para efeito desta NR, deve levar em consideração, no mínimo: a) as normas de produção; b) o modo operatório; c) a exigência de tempo; d) a determinação do conteúdo de tempo; e) o ritmo de trabalho; e f) o conteúdo das tarefas.
Neste intuito, para que os objetivos de qualidade nos serviços de saúde sejam alcançados, é fundamental que os profissionais estejam preparados e motivados para a atividade que desempenham, porque as falhas em saúde geralmente acarretam danos sérios ao paciente, inclusive óbito. A estrutura interna deve estar adequada às atividades profissionais e de acordo com o tipo de demanda, sendo a ergonomia organizacional muito importante no processo, pois se preocupa com a organização do trabalho e com as condições adequadas ao ser humano realizar suas atividades de maneira segura, confortável e produtiva.

    Os procedimentos metodológicos que podem ser adotados são baseados no conhecimento da ergonomia organizacional (ambiente físico; ambiente psicossocial; remuneração; jornada de trabalho e organização do trabalho), e ainda no enfoque macroergonômico, que busca um equilíbrio entre pessoas, tecnologias e organização. Para alcançar o objetivo de analisar como a ergonomia atua na melhoria da motivação e na qualidade da prestação de serviços de saúde, pode-se utilizar a metodologia AET (Análise Ergonômica do Trabalho) que visa permitir uma compreensão mais abrangente da situação de trabalho.

    A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) estuda uma situação de trabalho visando adaptá-la ao homem a partir da análise das condições técnicas, ambientais e organizacionais. Laville (1977) afirma que é através da Análise Ergonômica que será possível uma compreensão mais abrangente da situação de trabalho, pois todos os elementos relacionados com o trabalho serão estudados e considerados no momento de sua realização. Desta forma, a análise ergonômica do trabalho tem por objetivo o exame das exigências e condições reais da tarefa e das atividades efetivamente realizadas pelos trabalhadores no desempenho de suas funções.

    Os estudos realizados sobre a ergonomia organizacional mostraram que é de extrema importância à aplicação dos conceitos e de metodologia para verificar o grau de motivação dos funcionários no serviço de saúde, caracterizado pela grande influência de fatores ambientais e psicológicos no comportamento dos funcionários.

    Comparando as teorias motivacionais e analisando de que forma elas são utilizadas na ergonomia organizacional chegamos à conclusão que a ergonomia organizacional trabalha focada nos princípios da teoria Y de McGregor, admitindo que, o homem é um ser criativo, que gosta de trabalhar, de assumir responsabilidade e pode contribuir para a consecução dos objetivos da organização. Dessa forma, ela encoraja o crescimento individual e o desenvolvimento profissional, se preocupando com as condições em que a tarefa é realizada e que a ergonomia organizacional, também, encontra suporte na Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow, quando afirma que indivíduos privados da satisfação de algumas de suas necessidades podem prejudicar o bom desenvolvimento no trabalho, como, por exemplo, segurança física precária no local de trabalho, o stress, a carga horária excessiva, a insatisfação com salário e a falta de reconhecimento pelo bom desempenho, contribuem substancialmente para a insatisfação individual dos trabalhadores com trabalho; da mesma forma, a ergonomia organizacional encontra sustento na Teoria dos dois fatores de Herzberg, que defende a motivação para o trabalho está relacionada com a natureza da atividade desenvolvida, ou seja, com a organização do trabalho.

    Sabemos que o trabalho em saúde é efetuado fundamentalmente pela força de trabalho humana e que a ergonomia organizacional é de suma importância para garantir a motivação dos trabalhadores e a qualidade prestada nos serviços de saúde, além de serem condições indispensáveis para garantir o desenvolvimento satisfatório do trabalho, são ações que vão de encontro com o conceito de saúde, princípios e objetivos do SUS (Sistema Único de Saúde).

  Dr. Rodrigo Bernardino de Souza.

Referências

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